– Estava eu sentado no terraço a ver a olhar o mar
– Eu estava debruçada sobre ti
– Estava quase a chorar
– Abracei-te como nunca o fiz
– Pensei muito durante essa tarde pensei tanto… ia ficando louco
– Amei-te continuamente sem intermitências e serena. Conta-me mais… fala-me dessa tarde para sempre e sempre
– Não posso… já não a vejo
– Falo eu então meu amor
– Não… Eu tenho de ver… de voltar a ver e de olhar outra vez para o mar
– Vês ainda? Consegues ainda ver?
– Não sei já se não quero ou se não consigo
– E não é a mesma coisa?
– É
– Perdeste alguma coisa?
– Eu
– E quem me fala agora então?
– A minha voz
– Dádiva?
– E prazer
– Vou dizer-te quem és… Vou dar-te… Dar-te a ti… Devolver-te de mim…
– Se de mim me dás a mim… dou mais do que sou… não me torno assim mais do que aquilo que sou ao devolveres-me o que fui de ti?
– Se não guardaste o que me deste não…
– Devo então guardar-me em vez de dar-me?
– Deves antes revelar-te e dares-te naquilo que és em vez de dares o que és
– Mas se dou o que sou no lugar de me dar não terei dado um fantasma de mim?
– Terás antes criado em mim uma emoção voluptuosa que me terá enriquecido e embelezado. Sorrindo. E… no meu sorriso ter-te-ei devolvido um simulacro de emoção voluptuosa que te terá enriquecido e aumentado
– E tu?
– Poderei então contar-te outras histórias… E então tu…
– Saberei narrar também. Saberei nadar além ao longe naquele mar para lá do paredão. Além bem longe para lá de mim e de ti. Saberei amar em ti o que sou e em mim o que és… multiplicando-me e aumentando-me sempre e sempre. Assim como tu fazes
– Mas então deixas de ser tu não é?
– Eu?
– Deixas de ser a tua voz
– A minha voz conta sempre e sempre as histórias assim como a tua
– Sorri meu querido
– Sim… estava Sol
– Estavas só.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário